Hot! Catequese sobre a eucaristia

Catequeses de Sua Santidade
João Paulo II
sobre a Eucaristia

 

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 27 de Setembro de 2000

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

1. Segundo as orientações definidas em Tertio millenio adveniente, este ano jubilar, na solene celebração da Encarnação, deve ser um ano “intensamente eucarístico” (TMA 55). Por isso, depois de ter fixado o olhar sobre a glória da Trindade, que resplandece no caminho do homem, iniciamos uma catequese sobre a grande e, ao mesmo tempo, humilde celebração da glória divina que é a Eucaristia. Grande porque é a expressão principal da presença de Cristo no meio de nós, “todos os dias e até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20); humilde, porque está ligada aos sinais simples e quotidianos do pão e do vinho, alimento e bebida usados na terra de Jesus e em muitas outras regiões. Neste carácter quotidiano dos alimentos, a Eucaristia introduz não só a promessa, mas o “penhor” da futura glória:  “futurae gloriae nobis pignus datur” (São Tomás de Aquino.  Officium  de  festo  corporis Christi). Para atingir a grandeza do mistério eucarístico, queremos considerar hoje o tema da glória divina e da acção de Deus no mundo, ora manifestada nos grandes acontecimentos da revelação, ora escondida sob humildes sinais, que só a visão da fé pode perceber.

2. No Antigo Testamento, com a palavra hebraica Kabód indica-se a revelação da glória divina e a presença de Deus na história e na criação. A glória do Senhor refulge sobre o cimo do Sinai, aquando da revelação da Palavra divina (cf. Êx 24, 16). Está presente sobre a tenda santa e na liturgia do povo de Deus peregrino no deserto (cf. Lv 9, 23). Domina no templo, a morada como diz o Salmista “onde habita a tua glória” (Sal 26, 8). Envolve como um manto de luz (cf. Is 60, 1) todo o povo eleito:  o próprio Paulo é conhecedor de que “os Israelitas possuem a adopção de filhos, a glória, a aliança…” (Rm 9, 4).

3. Esta glória divina que se manifesta de modo especial a Israel está presente em todo o universo, como o profeta Isaías ouviu proclamar aos serafins no momento da sua vocação:  “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos! Toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6, 3). Antes, o Senhor revela a todos os povos a sua glória, como se lê no Saltério:  “Todos os povos contemplam a sua glória” (Sal 97, 6). O acender da luz da glória é, portanto, universal, pelo que toda a humaniddae pode descobrir a presença divina no cosmos.

Acima de tudo, em Cristo se realiza esta revelação porque ele é “irradiação da glória” divina (Heb 1, 3). Antes de mais, é isso mesmo através das suas obras, como testemunha o evangelista João, perante o sinal de Caná:  Cristo “manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram nele” (Jo 2, 11). Ele irradia a glória divina também através da sua palavra, que é palavra divina:  “Eu dei-lhes a tua palavra”, diz Jesus ao Pai; “a glória que tu me deste, eu lha dei a eles” (Jo 17, 14.22). Mais radicalmente, Cristo manifesta a glória divina através da sua humanidade, assumida na encarnação:  “o Verbo fez-se carne e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 14).

4. A revelação terrena da glória divina atinge o seu ponto culminante na Páscoa que, sobretudo nos escritos joaninos e paulinos, é descrita como uma glorificação de Cristo à direita do Pai (cf. Jo 12, 23; 13, 31; 17, 1; Fil. 2, 6-11; Col 3, 1; 1 Tim 3, 16). Ora, o mistério pascal, expressão da “perfeita glorificação de Deus” (SC 7), perpetua-se no sacrifício eucarístico, memorial da morte e da ressurreição confiado por Cristo à Igreja, sua esposa amada (cf. SC 47). Com o mandamento “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22, 19), Jesus assegura a presença da glória pascal através de todas as celebrações eucarísticas que marcarão o decurso da história humana. “Através da santa Eucaristia, o acontecimento da Páscoa de Cristo espalha-se a toda a Igreja (…). Com a comunhão do corpo e do sangue de Cristo, os fiéis crescem na misteriosa divinização que, graças ao Espírito Santo, os faz habitar no Filho como filhos do Pai (João Paulo II e Moran Mar Ignatius Zakka I Iwas, Declaração Comum 23.6.1984, n. 6:  EV 9, 842).

5. Não há dúvida de que temos a mais alta celebração da glória divina na liturgia. “Dado que a morte de Cristo na Cruz e a sua Ressurreição constituem o conteúdo da vida quotidiana da Igreja e o penhor da sua Páscoa eterna, a Liturgia tem como função primária reconduzir-nos a trilhar infatigavelmente o canminho pascal aberto por Cristo, no qual se aceita morrer para entrar na vida” (Carta Apostólica Vicesimus quintus annus, 6). Ora, este dever exercita-se, antes de tudo, por meio da celebração eucarística, que torna presente a Páscoa de Cristo e comunica o seu dinamismo aos fiéis. Assim, o culto cristão é a expressão mais viva do encontro entre a glória divina e a glorificação que sai dos lábios e do coração do homem. À “glória do Senhor que enche a morada” do templo com a sua presença luminosa (cf. Êx 40, 34) deve corresponder o nosso “glorificar o Senhor com espírito generoso” (Sir 35, 7).

6. Como nos recorda S. Paulo, devemos também glorificar a Deus no nosso corpo, quer dizer, em todo o nosso ser, porque o nosso corpo é templo do Espírito que está em nós (cf. 1 Cor 6, 19.20). A esta luz, pode também falar-se de uma celebração cósmica da glória divina. O mundo criado, “tantas vezes desfigurado pelo egoísmo e pela cobiça”, tem em si uma potencialidade eucarística”:  “ele está destinado a ser assumido na Eucaristia do Senhor, na sua Páscoa presente no sacrifício do altar” (Orientale lumen 11). Ao elevar da glória do Senhor, que está “acima do céu” (Sal 113, 4) e se irradia sobre o Universo, responderá então, como contraponto de harmonia, o coro de louvores da criação de forma a que “em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, ao Qual pertencem a glória e o poder para sempre. Amen!” (1 Ped 4, 11).

 


Saudações

Caríssimos Irmãos e Irmãs

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa aqui presentes. A todos desejo felicidades, com abundantes favores e graças celestes. Em particular, os peregrinos e visitantes vindos do Brasil; desejo que desta visita a Roma e deste encontro leveis revigorada a fé no Espírito Santo que dá a vida, presente e actuante na Eucaristia, na Igreja e nos corações em graça de Deus. Com a minha Bênção apostólica.

Recebo com cordialidade as pessoas de língua francesa, aqui presentes hoje de manhã. Saúdo particularmente os peregrinos das Dioceses de Blois e de Tolosa, acompanhados pelos seus Bispos; a comunidade do seminário universitário Pio XI de Tolosa, um grupo do seminário de Metz, guiado pelo seu Bispo. A vossa peregrinação nas pegadas dos Apóstolos Pedro e Paulo vos estimule na fé e testemunho junto dos vossos irmãos! A cada um concedo de todo o coração a Bênção apostólica.

Dou calorosas boas-vindas aos peregrinos jubilares das Dioceses de Sioux Falls, guiados por D. Robert Carlson; de Providência, por D. Louis Gelineau; de Trenton, por D. John Smith; e de Portlândia, por D. Joseph Gerry e por D. Michael Cote. Sobre todos os peregrinos e visitantes de língua inglesa, especialmente da Inglaterra, Irlanda, Escócia, Noruega, Dinamarca, Filipinas e Estados Unidos da América, invoco a alegria e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo.

Caríssimos peregrinos holandeses e belgas!

Faço votos por que a vossa peregrinação aos túmulos dos Apóstolos cumule a vossa vida com a riqueza da graça do Senhor. De coração concedo-vos a Bênção apostólica.
Louvado seja Jesus Cristo!
Dou as boas-vindas aos peregrinos de expressão espanhola.

Em especial aos oriundos da Arquidiocese de Madrid, com o Cardeal António Maria Rouco Varela, e da Diocese de Tarazona, com D. Carmelo Borobia. A peregrinação a Roma neste Jubileu há-de introduzir-vos em um novo período de graça e de missão:  revitalizai as vossas comunidades, situando a Eucaristia no centro e entregando-vos dia a dia aos irmãos. Saúdo também os sacerdotes do Colégio Mexicano e do Movimento “Schoenstatt”, o grupo “Anjos de Maria”, a Cooperativa “Virgem das Angústias” e os demais grupos provenientes da Espanha, México, República Dominicana, Venezuela, El Salvador e Argentina. Faço votos por que experimenteis a glória de Deus e O glorifiqueis com a vossa vida.

As minhas cordiais boas-vindas aos irmãos e irmãs da Lituânia!

Caríssimos, ao buscardes o Senhor com todo o vosso coração e com todas as vossas forças, sede portadores de esperança uns para com os outros. Permanecei no coração de Cristo e da Igreja, enquanto vos acompanho com a oração e vos concedo a minha Bênção.
Louvado seja Jesus Cristo!

Enfim, dirijo um pensamento especial aos jovens, aos enfermos e aos novos casais. O exemplo de caridade de São Vicente de Paulo, que hoje comemoramos na liturgia, vos leve, prezados jovens, a realizar os projectos do vosso futuro em um jubiloso e abnegado serviço ao próximo. Vos auxilie, dilectos doentes, a enfrentar o sofrimento como especial vocação de amor, para encontrardes nela a paz e o conforto de Cristo. E por fim vos estimule, queridos novos casais, a construir uma família cada vez mais aberta aos pobres e também ao dom da vida.

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 4 de Outubro de 2000

Caríssimos irmãos e irmãs: 

1. Entre os múltiplos aspectos da Eucaristia ressalta o do “memorial”, que está relacionado com um tema bíblico de primeira importância. Lemos, por exemplo, no livro do Êxodo:  “Deus recordou-se da Sua aliança com Abraão e Jacob” (2, 24). No Deuteronómio, ao invés, diz-se:  “Lembra-te do Senhor, teu Deus” (8, 18). “Recorda-te daquilo que o Senhor, teu Deus, fez…” (7, 18). Na Bíblia, a recordação de Deus e a lembrança do homem entrelaçam-se e constituem uma componente fundamental na vida do povo de Deus. Porém, não se trata da mera comemoração de um passado já extinto, mas sim de um zikkarôn, isto é, de um “memorial”. “Não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez por amor dos homens. Na celebração litúrgica destes acontecimentos, eles tornam-se de certo modo presentes e actuais” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1363). O memorial lembra um laço de aliança que jamais cessa:  “O Senhor se lembre de nós e nos abençoe” (Sl 115, 12).

Por conseguinte, a fé bíblica implica a recordação eficaz das maravilhosas obras da salvação. Elas são professadas no “Grande Hallel”, o Salmo 136, que depois de ter proclamado a criação e a salvação oferecida a Israel no Êxodo conclui:  “Ele lembrou-se de nós na nossa humilhação, porque o seu amor é para sempre (…) Ele livrou-nos (…) dá o pão a todo o ser vivo, porque o seu amor é para sempre” (Sl 136, 23-25). Encontraremos palavras semelhantes no Evangelho, nos lábios de Maria e de Zacarias:  “Ele socorre Israel, Seu servo, lembrando-Se da Sua misericórdia (…) e recordando-Se  da  Sua  santa  aliança” (Lc 1, 54.72).

2. No Antigo Testamento, o “memorial” por excelência das obras de Deus na história era a liturgia pascal do Êxodo:  cada vez que o povo de Israel celebrava a Páscoa, Deus oferecia-lhe, de modo eficaz, o dom da liberdade e da salvação. Portanto, no rito pascal cruzavam-se as duas recordações, a divina e a humana, isto é, a graça salvífica e a fé reconhecida:  “Este dia será para vós um  memorial;  celebrai-o  como  festa do Senhor (…) Isto servirá como sinal no braço e faixa na fronte, para que tenhas  na  tua  boca  a  lei  do  Senhor que te tirou do Egipto com mão forte” (Êx 12, 14; 13, 9). Em virtude deste acontecimento, como afirmava um filósofo judeu, Israel será sempre “uma comunidade assente na recordação” (M. Buber).

3. O laço entre a recordação de Deus e a lembrança do homem está também no centro da Eucaristia, que é o “memorial” por excelência da Páscoa cristã. A “anamnese”, isto é, o acto de recordar, é efectivamente o coração da Celebração; o sacrifício de Cristo, acontecimento único, realizado ef’hapax, isto é, “de uma vez para sempre” (Hb 7, 27; 9, 12.26; 10, 12), difunde a sua presença salvífica no tempo e no espaço da história humana. Isto é expresso no imperativo final que Lucas e Paulo relatam na narração da Última Ceia:  “Isto é o Meu corpo que será entregue por vós; fazei isto em memória de Mim… Este cálice é a Nova Aliança no Meu sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei-o em memória de Mim” (1 Cor 11, 24-25; cf. Lc 22, 19). O passado do “corpo dado por nós” na cruz apresenta-se vivo ainda hoje e, como declara Paulo, abre-se ao futuro da redenção final:  “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha” (1 Cor 11, 26). A Eucaristia é, pois, memorial da morte de Cristo, mas também presença do seu sacrifício e antecipação da sua vinda gloriosa. É o sacramento da contínua proximidade salvadora do Senhor ressuscitado na história.

Assim, compreende-se a exortação de Paulo a Timóteo:  “Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos” (2 Tm 2, 8). Esta recordação vive e actua de maneira especial na Eucaristia.

4. O evangelista João explica-nos o sentido profundo da “recordação” das palavras e dos acontecimentos de Cristo. Perante o gesto de Jesus que purifica o templo dos mercadores e anuncia que este será destruído e de novo levantado em três dias, ele faz notar:  “Quando Ele ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que Jesus tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus” (Jo 2, 22). Esta memória que gera e alimenta a fé é obra do Espírito Santo “que o Pai enviará em nome” de Cristo:  “Ele ensinar-vos-á todas as coisas e vos fará recordar tudo o que Eu vos disse” (Jo 14, 26). É, portanto, uma recordação eficaz:  a interior, que conduz à compreensão da Palavra de Deus, e a sacramental que se realiza na Eucaristia. São as duas realidades da salvação, que Lucas uniu na esplêndida narração dos discípulos de Emaús, feita claramente pela explicação das Escrituras e do “partir o pão” (cf. Lc 24, 13-35).

5. Portanto, “recordar” é “trazer de novo ao coração” com a memória e o afecto, mas também celebrar uma presença. “A Eucaristia, verdadeiro memorial do mistério pascal de Cristo, é capaz de manter viva em nós a memória do seu amor. Por isso, ela é o segredo da vigilância da Igreja:  diversamente, sem a eficácia desta lembrança contínua e dulcíssima, e sem a força penetrante deste olhar do seu Esposo fixo sobre ela, ser-lhe-ia muito fácil cair no esquecimento, na insensibilidade e na infidelidade” (Carta Apostólica Patres Ecclesiae, III:  Ench. Vat., 7, 33). Esta exortação à vigilância torna as nossas liturgias eucarísticas abertas à vinda do Senhor na plenitude, à manifestação da Jerusalém celeste. Na Eucaristia, o cristão alimenta a esperança do encontro definitivo com o seu Senhor.


Apelo do Papa em favor da África

Já há várias semanas chegam notícias preocupantes de ataques sangrentos na Guiné, contra a população local e contra os refugiados da Libéria e de Serra Leoa. Em nome de Deus, peço que se desista de tanta violência e se respeitem os direitos de todos, em particular dos refugiados, que já vivem em condições precárias.

Depois, dirijo um premente apelo a fim de que sejam libertados os dois Sacerdotes Xaverianos, Pe. Franco Manganello e Pe. Víctor Mosele, raptados na Missão de Pamalap, na região de Forecariah, no dia 6 de Setembro passado.

Por fim, exprimo a minha tristeza e oração por dois agentes do Evangelho, brutalmente assassinados nos últimos dias:  Pe. Raffaele de Bari, Comboniano, em Uganda, e o Sr. António Bargiggia, Missionário Leigo dos Irmãos dos Pobres, no Burundi. O Senhor receba na sua paz estes seus servidores fiéis, que morreram no cumprimento do “maior mandamento”:  o do amor.

Saudações

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

Saúdo cordialmente quantos me escutam de língua portuguesa, de modo especial os grupos de portugueses de Alcobaça, Ladoeiro, Estarreja, Turquel, Abrantes e Lisboa, e os peregrinos do Brasil de São Paulo e de Penedo. Sedebem-vindos! E que leveis de Roma a mais viva certeza que é apelo:  Jesus Cristo Caminho, Verdade e Vida o Redentor dos homens, é o nosso único Salvador que, por nós e para a nossa salvação, morreu na cruz para merecermos a esperança da feliz ressurreição.
Que  vos  iluminem  os  testemunhos de São Pedro e São Paulo e vos assista a graça  de  Deus,  que  imploro  para vós e  vossas  famílias,  com  a  Bênção Apostólica.

É com grande alegria que acolho a peregrinação jubilar proveniente da Ucrânia, composta de seis Bispos, numerosos Sacerdotes, Religiosas de várias Congregações e cerca de 400 fiéis. Caríssimos, a visita aos túmulos dos Apóstolos e dos Mártires revigore em cada um de vós a fé, a esperança e o amor, contribuindo para renovar a união fraterna e o testemunho evangélico nas vossas comunidades.
A vós e aos vossos entes queridos concedo de coração a minha Bênção Apostólica.

Saúdo com afecto as duas peregrinações diocesanas italianas, provenientes hoje de Tricárico, com D. Salvatore Ligório, e de Noto, com D. Giuseppe Malandrino. Caríssimos Irmãos e Irmãs, ao agradecer-vos a presença, faço votos por que deste itinerário jubilar possais tirar abundantes frutos para a vida tanto pessoal como comunitária.

Além disso, dirijo uma cordial saudação a D. Rino Fisichella e aos sacerdotes que concluem o primeiro Curso de Exercícios espirituais sobre a Misericórdia Divina. Caríssimos, o vosso ministério seja um testemunho fiel e generoso do amor misericordioso de Cristo Bom Pastor.
É-me grato acolher o novo grupo de Sacerdotes do Colégio São Paulo Apóstolo, provenientes de cinquenta países, e desejo-lhes um sereno e profícuo empenho de estudo.

Por ocasião da Jornada Mundial da Diabete, dirijo um particular encorajamento às muitas pessoas que enfrentam quotidianamente esta doença.

Saúdo, além disso, o numeroso grupo do Decanato de Lecco, na Arquidiocese de Milão; os fiéis das Paróquias dedicadas a Santa Cristina Mártir; a Família de Legnano, que recorda os 50 anos de actividade; a delegação hípica internacional que, por ocasião do Ano Santo, promoveu uma especial manifestação no Hipódromo romano de Tor di Valle; o Círculo Feminino de Amizade Europeia e a Associação dos trabalhadores “pendolari” do Lácio.

Enfim, dirijo-me aos Jovens, aos Doentes e aos novos Casais.

Caríssimos, celebramos hoje a festa de São Francisco de Assis. Para vós, jovens, ele seja modelo de vida evangélica; para vós, doentes, exemplo de amor à Cruz de Cristo; para vós, jovens casais, convite a ter sempre confiança na Providência divina.

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 11 de Outubro de 2000

A Eucaristia é “sacrificium laudis”  

Queridos Irmãos e Irmãs,

1. “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós, Deus Pai omnipotente, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória”. Esta proclamação de louvor trinitário conclui em toda a celebração eucarística a oração do Cânon. Com efeito, a Eucaristia é o perfeito “sacrifício de louvor”, a glorificação mais excelsa que da terra sobe ao céu, “fonte e centro de toda a vida cristã, na qual (os filhos de Deus) oferecem (ao Pai) a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela” (LG, 11). No Novo Testamento, a Carta aos Hebreus ensina-nos que a liturgia cristã é oferecida por um “Sumo Sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado acima dos Céus”, que se realizou de uma vez para sempre um único sacrifício, “oferecendo-Se a Si mesmo” (cf. Hb 7, 26-27). “Por meio d’Ele diz a Carta oferecemos, sem cessar, a Deus um sacrifício de louvor” (ibid., 13, 15). Queremos hoje evocar brevemente os dois temas do sacrifício e do louvor que se encontram na Eucaristia, sacrificium laudis.

2. Na Eucaristia actualiza-se, antes de mais, o sacrifício de Cristo. Jesus está realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, como Ele mesmo nos assegura:  “Isto é o Meu corpo… Este é o Meu sangue” (Mt 26, 26.28). Mas o Cristo presente na Eucaristia é o Cristo já glorificado, que na Sexta-Feira Santa Se ofereceu a Si mesmo na cruz. É o que sublinham as palavras por Ele pronunciadas sobre o cálice do vinho:  “Este é o Meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos” (Mt 26, 28; cf. Mc 14, 24; Lc 22, 20). Se estas palavras forem examinadas à luz da sua filigrana bíblica, afloram duas referências significativas. A primeira é constituída pela locução “sangue derramado” que, como afirma a linguagem bíblica (cf. Gn 9, 6), é sinónimo de morte violenta. A segunda consiste na explicação “por muitos”, referente aos destinatários deste sangue derramado. A alusão aqui remete-nos para um texto fundamental com vista na releitura cristã das Escrituras, o quarto cântico de Isaías:  com o seu sacrifício, “ao entregar a sua vida à morte”, o Servo do Senhor “tomava sobre si os pecados de muitos” (53, 12; cf. Hb 9, 28; 1 Pd 2, 24).

3. A mesma dimensão sacrifical e redentora da Eucaristia é expressa na Última Ceia pelas palavras de Jesus sobre o pão, tal como são referidas pela tradição de Lucas e de Paulo:  “Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós” (Lc 22, 19; cf. 1 Cor 11, 24). Também neste caso se verifica uma chamada à doação sacrifical do Servo do Senhor, segundo a passagem de Isaías (53, 12), já evocada:  “Ele próprio entregou a sua vida à morte… tomou sobre si os pecados de muitos e intercedeu pelos culpados”. “A Eucaristia é, acima de tudo, um Sacrifício:  sacrifício da Redenção e, ao mesmo tempo, da nova Aliança, como nós acreditamos e as Igrejas do Oriente professam claramente:  o sacrifício hodierno afirmou, há alguns séculos a Igreja grega (no Sínodo Constantinopolitano de 1156-57, contra Sotérico) é como aquele que um dia ofereceu o Unigénito Verbo Encarnado [de Deus]; e é (hoje como então) por Ele oferecido, sendo o mesmo e único Sacrifício” (Carta Apostólica Dominicae cenae, 9).

4. A Eucaristia, como sacrifício da nova Aliança, põe-se como desenvolvimento e cumprimento da aliança celebrada no Sinai, quando Moisés derramou metade do sangue das vítimas sacrificais sobre o altar, símbolo de Deus, e metade sobre a assembleia dos filhos de Israel (cf. Êx 24, 5-8). Este “sangue da aliança” unia intimamente Deus e o homem num vínculo de solidariedade. Com a Eucaristia a intimidade torna-se total, o abraço entre Deus e o homem atinge o seu ápice. É a realização completa daquela “nova aliança” que Jeremias tinha predito (cf. 31, 31-34):  um pacto no espírito e no coração, que a Carta aos Hebreus exalta precisamente partindo do oráculo do profeta, unindo-o ao sacrifício único e definitivo de Cristo (cf. Hb 10, 14-17).

5. A esta altura, podemos ilustrar a outra afirmação:  a Eucaristia é um sacrifício de louvor. Essencialmente orientado para a comunhão plena entre Deus e o homem, “o sacrifício eucarístico é a fonte e o centro de todo o culto da Igreja e de toda a vida cristã. Neste sacrifício de acção de graças, de propiciação, impetração e louvor os fiéis participam com maior plenitude, quando não só oferecem ao Pai com todo o coração, em união com o sacerdote, a vítima sagrada e, nela, a si mesmos, mas recebem também a própria vítima no sacramento” (Sagrada Congregação para os Ritos, Eucharisticum mysterium, 3 e).

Como diz o próprio termo na sua génesis grega, a Eucaristia é “agradecimento”; nela o Filho de Deus une a Si a humanidade remida num cântico de acção de graças e de louvor. Recordamos que  a  palavra  hebraica  todah,  traduzida como “louvor”, significa também “agradecimento”.  O  sacrifício  de  louvor  era  um  sacrifício  de  acção  de graças (cf. Sl 50 [49], 14.23). Na Última Ceia, para instituir a Eucaristia, Jesus deu graças a seu Pai (cf. Mt 26, 26-27 e paralelos); esta é a origem do nome deste sacramento.

6. “No Sacrifício eucarístico, toda a Criação amada por Deus é apresentada ao Pai, através da Morte e Ressurreição de Cristo” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1359). Unindo-se ao sacrifício de Cristo, a Igreja na Eucaristia dá voz ao louvor da inteira criação. A isto deve corresponder o empenho de cada um dos fiéis em oferecer a sua existência, o seu “corpo” como diz Paulo em “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12, 1), numa comunhão plena com Cristo crucificado e ressuscitado por todos, e o discípulo é chamado a doar-se inteiramente a Ele.

Esta íntima comunhão de amor é decantada pelo poeta francês Paul Claudel, que põe nos lábios de Cristo estas palavras:  “Vem comigo, onde Eu Estou, em ti mesmo, /e dar-te-ei a chave da existência. / Lá onde Eu Estou, lá eternamente /está o segredo da tua origem… / (…) Onde estão as tuas mãos, que não estejam as minhas? / E os teus pés, que não estejam pregados na mesma cruz? / Morri e ressuscitei uma vez por todas! Estamos muito próximos um do outro / (…) Como fazer para te separar de Mim / sem que tu Me dilaceres o coração?” (La Messe là-bas).


Saudações

As minhas boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente ao grupo brasileiro de amigos da televisão “Rede Vida”, guiado pelo presidente desta, D. Antônio Maria Mucciolo, Arcebispo Emérito de Botucatu.

O Céu multiplique e cubra de graças os vossos esforços para levar a todos a Boa Nova de Jesus Cristo; sobre vós e vossas famílias desça a minha Bênção.

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua italiana. Em particular, saúdo os membros da Família Dehoniana, reunidos para o primeiro Encontro Internacional, assim como os sacerdotes, os religiosos e os leigos pertencentes a Institutos intitulados à Sagrada Família; e a todos desejo um profícuo trabalho de reflexão e diálogo. Além disso, saúdo os membros do Comité de Infra-Estruturas da NATO, assim como os Oficiais e os Capelães italianos da Comissão para a Peregrinação Militar a Lourdes e o Comando do Regimento dos Carros Armados de Persano.

O meu pensamento dirige-se agora aos jovens, aos doentes e aos novos casais. Nos próximos sábado e domingo realizar-se-á o Jubileu das Famílias. Caros jovens, valorizai estes vossos anos a fim de vos preparardes para formar uma autêntica família cristã. Queridos doentes, sabei fazer da vossa presença na vida familiar um dom, oferecendo ao Senhor os vossos sofrimentos, para o bem de todos. Prezados jovens casais, torne-se a vossa família, dia após dia, sempre mais igreja doméstica e célula viva da sociedade.
Apelo do Papa em prol da paz no Médio Oriente


Com grande angústia, estamos a seguir a grave tensão existente no Médio Oriente, mais uma vez conturbado por acontecimentos que causaram numerosas vítimas e nem sequer pouparam alguns lugares sagrados.

Diante dessa situação dramática, não posso deixar de exortar todos a porem fim, sem demora, a esta espiral de violência, enquanto convido todos os crentes a orarem a Deus a fim de que os povos e os responsáveis dessa região saibam retomar o caminho do diálogo, para reencontrar a alegria de se sentirem  filhos  de  Deus,  seu  Pai comum.

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 18 de Outubro de 2000

Queridos Irmãos e Irmãs,

1. “Tornamo-nos Cristo. Com efeito, se Ele é a cabeça e nós os seus membros, o homem total é Ele e nós” (Agostinho, Tractatus in Io. 21, 8). Estas audaciosas palavras de Santo Agostinho exaltam a comunhão íntima que, no mistério da Igreja, se cria entre Deus e o homem, uma comunhão que, no nosso caminho histórico, encontra o seu sinal mais excelso na Eucaristia. Os imperativos:  “Tomai e comei… Bebei dele…” (Mt 26, 26-27) que Jesus dirige aos seus discípulos naquela sala no andar de cima de uma casa de Jerusalém, na última noite da sua vida terrena (cf. Mc 14, 15), são densos de significado. Já o valor simbólico universal do banquete, oferecido no pão e no vinho (cf. Is 25, 6), remete para a comunhão e a intimidade. Elementos ulteriores mais explícitos exaltam a Eucaristia como convite de amizade e de aliança com Deus. Com efeito, ela como o Catecismo da Igreja Católica recorda é “ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrifical em que se perpetuam o sacrifício da Cruz e o banquete sagrado da comunhão  do  Corpo  e  Sangue  do  Senhor” (n. 1382).

2. Como no Antigo Testamento o santuário móvel do deserto se chamava “tenda da reunião”, isto é, do encontro entre Deus e o seu povo e dos irmãos de fé entre si, a antiga tradição cristã chamou “sinapse”, isto é, “reunião”, à celebração eucarística. Nela “manifesta-se a natureza profunda da Igreja, comunidade dos convocados à sinapse para celebrar o dom d’Aquele que é oferente e oferta:  eles, participando nos Santos Mistérios, tornam-se “consanguíneos” de Cristo, antecipando a experiência da divinização no laço, já inseparável, que em Cristo liga divindade e humanidade” (Orientale lumen, 10).

Se quisermos aprofundar o sentido genuíno deste mistério de comunhão entre Deus e os fiéis, devemos retornar às palavras de Jesus na última Ceia. Elas remetem para a categoria bíblica da “aliança”, evocada precisamente através da conexão do sangue de Cristo com o sangue sacrifical derramado no Sinai:  “Este é o Meu sangue, o sangue da aliança” (Mc 14, 24). Moisés declarara:  “Eis o sangue da aliança” (Êx 24, 8). A aliança prenunciava a nova Aliança, da qual deriva para usar uma expressão dos Padres gregos como que uma consanguinidade entre Cristo e o fiel (cf. Cirilo de Alexandria, In Johannis Evangelium XI; João Crisóstomo, In Matthaeum hom. LXXXII, 5).

3. São sobretudo as teologias joanina e paulina que exaltam a comunhão do fiel com Cristo na Eucaristia. No discurso na sinagoga de Cafarnaum, Jesus diz explicitamente:  “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente” (Jo 6, 51). O inteiro texto daquele discurso tem em vista ressaltar a comunhão vital que se estabelece na fé, entre Cristo pão de vida e aquele que o come. Em particular, aparece o verbo grego do quarto evangelho para indicar a intimidade mística entre Cristo e o discípulo, ménein, “permanecer, ficar”:  “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue fica em Mim e Eu nele” (Jo 6, 56; cf. 15, 4-9).

4. O vocábulo grego da “comunhão”, koinonia, emerge depois na reflexão da primeira Carta aos Coríntios, onde Paulo fala dos banquetes sacrificais da idolatria, qualificando-os como “mesa dos demónios” (10, 1), e exprime um princípio válido para todos os sacrifícios:  “Os que comem os sacrifícios são participantes do altar” (10, 18). Deste princípio o Apóstolo faz uma aplicação positiva e luminosa em relação à Eucaristia:  “O cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos não é a comunhão (koinonia) do corpo de Cristo? (…) Todos nós participamos do mesmo pão” (10, 16-17). “A participação na Eucaristia, sacramento da Nova Aliança, é o ápice da assimilação a Cristo, fonte de vida eterna, princípio e força do dom total de si” (Veritatis splendor, 21).

5. Esta comunhão com Cristo gera, portanto, uma íntima transformação do fiel. São Cirilo de Alexandria delineia de modo eficaz este evento, mostrando a sua ressonância na existência e na história:  “Cristo forma-nos segundo a sua imagem, de maneira que os traços da sua natureza divina resplandeçam em nós através da santificação, da justiça e da vida boa e conforme às virtudes. A beleza desta imagem resplandece em nós que estamos em Cristo, quando nos mostramos homens bons nas obras” (Tractatus ad Tiberium Diaconum sociosque, II, Responsiones ad Tiberium Diaconum sociosque, em:  In divi Johannis Evangelium, vol. III, Bruxelas 1965, pág. 590). “Ao participar no sacrifício da Cruz, o cristão comunga do amor de doação de Cristo, ficando habilitado e comprometido a viver esta mesma caridade em todas as suas atitudes e comportamentos de vida. Na vida moral, revela-se e actua-se ainda o serviço régio do cristão” (Veritatis splendor, 107). Esse serviço real tem a sua raiz no baptismo, e o seu florescimento, na comunhão eucarística. Por conseguinte, a via da santidade, do amor e da verdade é a revelação ao mundo da nossa intimidade divina, actuada no banquete da Eucaristia.

Deixemos que o nosso desejo da vida divina oferecida em Cristo se exprima com os acentos candentes de um grande teólogo da Igreja arménia, Gregório de Narek (séc. X):  “Não é dos seus dons, mas do Dador que tenho sempre nostalgia. Não é a glória a que aspiro, mas é o Glorificado que quero abraçar… Não é o repouso que procuro, mas o rosto d’Aquele que dá o descanço que eu peço, suplicando. Não é pelo banquete nupcial, mas pelo desejo do Esposo que anelo” (XII Oração).

Acolho com alegria os numerosos peregrinos vindos hoje de algumas Dioceses italianas, guiados pelos respectivos Bispos:  de Terni-Narni-Amélia, com D. Vincenzo Paglia; de Acqui, com D. Lívio Maritano; da Abadia Territorial da Santíssima Trindade de Cava de’ Tirreni, com o Abade Benedetto Chianetta.

Caríssimos, viestes em grande número a esta Praça para viver, em comunhão com as vossas amadas Comunidades diocesanas, um singular momento de graça e de renovação interior. Esta vossa peregrinação jubilar é, de facto, uma ocasião privilegiada para aprofundar os vínculos de unidade com a Sé de Pedro, que “preside à caridade”, e para prosseguir com maior vigor o anúncio do Evangelho.

De coração formulo votos por que o Jubileu vos fortaleça no empenho de serdes guia e fermento da inteira sociedade civil. Tende consciência das responsabilidades do momento histórico actual, no limiar do terceiro milénio cristão, que exorta os crentes a ajudar os homens e as mulheres do nosso tempo a redescobrirem as suas profundas raízes espirituais e culturais.

Caríssimos, formulo a todos vós os afectuosos votos de uma jubilosa e profícua celebração jubilar, que acompanho com uma especial Bênção Apostólica!


Saudações
Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha afectuosa saudação para todos os presentes; apraz-me mencionar o grupo paroquial de Alcains e os brasileiros de S. Paulo. Pisais terra santa, banhada pelo sangue dos mártires. Quiseram obrigá-los a deixar Cristo para salvar a vida, mas eles responderam que a sua vida era Cristo; e, certos disso, preferiram Cristo à própria vida. Possa a mesma certeza iluminar a vida de cada um de vós e dos vossos familiares, que de coração abençoo.

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua francesa, nomeadamente os fiéis da diocese de Clermont com o seu bispo, D. Simon, Auxiliares do Apostolado das dioceses de África, os membros da Ordre des Palmes académiques, os jovens suíços das paróquias de Lutry e Cully, alguns dos quais são neoconfirmados. O meu pensamento vai também para todas as famílias que foram provadas pela perda de um ente querido por causa das inundações de domingo passado. Aos feridos e aos socorredores, dirijo os meus melhores votos. A todos concedo a afectuosa Bênção apostólica.

Saúdo com afecto os peregrinos de língua espanhola, especialmente os Sacerdotes de Valença que celebram as suas Bodas de Ouro de ordenação, assim como os outros grupos vindos de Espanha, México, Honduras, Peru, Chile e Argentina. Neste Ano jubilar animo-vos a todos a aprofundar a relação com Cristo, sempre presente na Eucaristia, fonte do compromisso para viver com o seu mesmo amor todas as atitudes e comportamentos da nossa existência.

Enquanto saúdo os peregrinos de língua italiana, o meu pensamento vai, antes de tudo, para as populações do Norte do País, atingidas pelas recentes inundações. Tenho presente, em particular, o Vale de Aosta, que me é tão querido, e a vasta zona do Piemonte, que sofreram graves prejuízos. Ao participar profundamente e em espírito convosco, asseguro uma sentida oração junto do altar do Senhor, de forma especial pelas vítimas e os seus familiares, por quantos perderam a casa e todos aqueles que sofrem devido a esta calamidade natural.

Estou contente por acolher o grupo de responsáveis da Comunidade de Santo Egídio e os participantes no Encontro internacional das famílias, promovido pelo Movimento dos Focolares.
Agora saúdo, juntamente com os vários grupos paroquiais, os fiéis Nigerianos residentes na Região das Marcas e na Romanha; a Associação Nacional das Mulheres Operadas aos Seios; o grande grupo da União Nacional das Armas dos Carabineiros, oriundo de Conversano, e a Fanfarra dos Alpinos, de Trento.

Além disso, saúdo o Círculo dos Remadores “Roma”, os jovens “Alferes do Trabalho”, a delegação do Município de Jelsi, que traz uma reprodução da Porta Santa de São Pedro feita com espigas de trigo, e os numerosos estudantes, especialmente os do Instituto do Sagrado Coração, de Turim, do Liceu “Santili” de Santa Elia Fiumerapido e da Escola Primária de Colleferro.

Dirijo-me agora aos Jovens, aos Doentes e aos novos Esposos, recordando que hoje é a festa litúrgica do Evangelista São Lucas. Caros jovens, São Lucas vos ajude a meditar todos os dias o Evangelho, para vos tornardes autênticos discípulos de Jesus; o Evangelista da misericórdia vos dê coragem, queridos doentes, para suportar com paciência todas as enfermidades humanas; e a vós, prezados novos esposos, São Lucas mostre sempre como modelo a Sagrada Família de Nazaré.

 

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 25 de Outubro de 2000

A Eucaristia abre ao futuro de Deus

Caríssimos Irmãos e Irmãs:

1. “Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste” (SC 8; cf. GS 38).

Estas palavras tão límpidas e essenciais do Concílio Vaticano II apresentam-nos uma dimensão fundamental da Eucaristia:  o seu ser “futurae gloriae pignus“, penhor da glória futura, segundo uma bonita expressão da tradição cristã (cf. SC 47). “Este sacramento observa S. Tomás de Aquino não nos introduz imediatamente na glória mas dá-nos a força de chegar à glória e, por isso, é chamado “viático” (Summa Th. III, 79, 2, ad I). A comunhão com Cristo, que agora vivemos enquanto somos peregrinos a caminhar pelas estradas da história, antecipa o encontro supremo do dia em que “seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é” (1 Jo 3, 2). Elias, que a caminho no deserto se sentou, privado de forças, debaixo de um junípero e foi revigorado por um pão misterioso até atingir o cume do encontro com Deus (cf. 1 Rs 19, 1-8), é um tradicional símbolo do itinerário dos fiéis, que no pão eucarístico encontram a força para caminhar rumo à meta luminosa da cidade santa.

2. É este também o sentido profundo do maná preparado por Deus aos pés do Sinai, “alimento dos anjos” capaz de proporcionar todas as delícias e de satisfazer todos os gostos, manifestação da ternura de Deus para com os seus filhos (cf. Sb 16, 20-21). Será o próprio Cristo a fazer evidenciar este significado espiritual da vicissitude do Êxodo. É Ele que nos faz pregustar na Eucaristia o dúplice sabor de alimento do peregrino e de comida da plenitude messiânica na eternidade (cf. Is 25, 6). Para permutar uma expressão dedicada à liturgia sabática hebraica, a Eucaristia é uma “amostra de eternidade no tempo” (A. J. Heschel).  Assim  como  Cristo  viveu  na carne permanecendo na glória de Filho de Deus, assim também a Eucaristia é presença divina e transcendente, comunhão com o eterno, sinal da “compenetração da cidade terrena com a celeste” (GS 40). A Eucaristia, memorial da Páscoa  de  Cristo,  é  por  sua  natureza portadora do eterno e do infinito à história humana.

3. Este aspecto que abre a Eucaristia para o futuro de Deus, embora a deixe ancorada na realidade presente, é ilustrado pelas palavras que Jesus pronuncia sobre o cálice do vinho na Última Ceia (cf. Lc 22, 20; 1 Cor 11, 25). Marcos e Mateus evocam naquelas mesmas palavras a aliança no sangue dos sacrifícios do Sinai (cf. Mc 14, 24; Mt 26, 28; Êx 24, 8). Lucas e Paulo, ao contrário, revelam o cumprimento da “nova aliança” anunciada pelo profeta Jeremias:  “Dias virão oráculo do Senhor em que firmarei nova Aliança com as casas de Israel e de Judá. Porém, será diferente da que concluí com os seus pais” (31, 31-32). Com efeito, Jesus declara:  “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”. “Novo”, na linguagem bíblica, indica normalmente progresso, perfeição definitiva.

Sempre Lucas e Paulo evidenciam que a Eucaristia é antecipação do horizonte de luz gloriosa própria do reino de Deus. Antes da Última Ceia, Jesus declara:  “Tenho ardentemente desejado comer convosco esta páscoa, antes de padecer, pois digo-vos que já não a comerei até ela ter pleno cumprimento no reino de Deus. Tomando uma taça, deu graças e disse:  “Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira até chegar o reino de Deus”" (Lc 22, 15-18). Também Paulo recorda de maneira explícita que a ceia eucarística está voltada para a última vinda do Senhor:  “Sempre que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha” (1 Cor 11, 26).

4. O quarto evangelista, João, exalta esta tensão da Eucaristia para a plenitude do reino de Deus, dentro do célebre discurso sobre o “pão da vida” que Jesus pronunciou na sinagoga de Cafarnaum. O símbolo por Ele usado como ponto de referência bíblico é, como já foi acenado, o do maná oferecido por Deus a Israel peregrino no deserto. A propósito da Eucaristia, Jesus afirma solenemente:  “Se alguém comer deste pão viverá eternamente (…). Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia (…). Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; o que come deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 51.54.58). A “vida eterna”, na linguagem do quarto evangelho, é a mesma vida divina que ultrapassa as fronteiras do tempo. A Eucaristia, sendo comunhão com Cristo, é portanto participação na vida de Deus, que é eterna e vence a morte. Por isso Jesus declara:  “A vontade d’Aquele que Me enviou é esta:  que Eu não perca nenhum daqueles que Ele Me deu, mas que Eu os ressuscite no último dia. Esta é a vontade de Meu Pai:  que todo o homem que vê o Filho e n’Ele acredita tenha a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia” (Jo 6, 39-40).

5. Nesta luz como dizia sugestivamente um teólogo russo, Sergej Bulgakov “a liturgia é o céu na terra”. Por esta razão, na Carta Apostólica Dies Domini, repetindo as palavras de Paulo VI, exortei os cristãos a não negligenciarem “este encontro, este banquete que Cristo nos prepara no seu amor. Que a participação em tal celebração seja, ao mesmo tempo,  digna  e  festiva.  É  Cristo,  crucificado  e  glorificado,  que  passa  entre os  seus  discípulos  para  conduzi-los todos juntos, consigo, na renovação da sua  Ressurreição.  É  o  ápice,  aqui neste mundo, da Aliança de amor entre Deus  o  seu  povo:   sinal  e  fonte  de alegria cristã, preparação para a Festa eterna” (n. 58; cf. Gaudete in Domino, conclusão).


Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os brasileiros da Basílica de Nossa Senhora do Carmo de Campinas, junto a um numeroso grupo de visitantes, e os portugueses da Paróquia de Amadora, com os votos de que esta passagem por Roma para ganhar o Jubileu, sirva de estímulo para a nova vida em Cristo e para testemunhar a esperança de que são depositários pela fé no Redentor dos homens. Que a Virgem Maria vos acompanhe sempre e proteja os vossos lares, com a minha Bênção Apostólica. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Estou feliz por acolher os peregrinos de língua francesa aqui presentes nesta manhã. Saúdo em particular os Irmãos Maristas, os membros da Associação França-Itália, assim como as pessoas idosas de Martinica. Desejo que a vossa peregrinação jubilar vos ajude a crescer no conhecimento de Cristo e a viver na fidelidade ao seu Evangelho. Concedo-vos a todos com um coração magnânimo a Bênção Apostólica.

Desejo saudar os fiéis de língua espanhola, em particular as Irmãs Missionárias Catequistas de Cristo Rei, da Argentina. Saúdo igualmente os fiéis da diocese espanhola de Santander, assim como os grupos paroquiais vindos da Espanha, México, República Dominicana e os peregrinos de outros países latino-americanos. Que a vossa participação na Eucaristia seja muito digna e festiva, porque é a antecipação da ressurreição futura. Obrigado!

Saúdo cordialmente os fiéis húngaros, especialmente o grupo de Somlóvásárhely e Velence. A minha Bênção Apostólica vos acompanhe durante a vossa peregrinação.
Seja louvado Jesus Cristo.

Caros Irmãos e Irmãs lituanos
Com alegria saúdo os membros do coro da Faculdade das Artes de Klaipéda, aqui presentes. Tenho-vos a todos no coração e na minha oração e desejo-vos que Cristo, neste Ano Santo, se torne ainda mais profundamente presente no vosso estudo e na vossa criatividade artística.
Com afecto vos abençoo a todos.

Saúdo cordialmente os fiéis croatas aqui presentes, provenientes da sua Pátria e do estrangeiro, em particular os participantes na peregrinação jubilar da Diocese de Hvar acompanhados pelo seu Bispo, D. Slobodan Stambuk. Sede bem-vindos!

Caríssimos, na celebração do Ano Santo em curso, ressoa um premente convite a ter confiança na misericórdia do Pai, à luz do mistério que nos une a Seu Filho, Jesus Cristo. Tal confiança enche os corações humanos de esperança, da qual o cristão deve ser mensageiro. Dou-vos, de todo o coração, a Bênção Apostólica. Sejam louvados Jesus e Maria!

Saúdo com afecto as peregrinações diocesanas provenientes de Treviso, Altamura-Gravina-Acquaviva das Fontes e Cuneo-Fossano, guiadas respectivamente pelos Bispos, D. Paulo Magnani, D. Mário Paciello e D. Natalino Pescarolo.

Caros Irmãos e Irmãs, sede bem-vindos! Saúdo-vos e agradeço-vos a todos a vossa grata visita. Desejo de todo o coração que a vossa paragem junto do túmulo dos Apóstolos traga frutos espirituais e pastorais, para benefício das vossas Comunidades diocesanas, às quais envio um benévolo e afectuoso pensamento.

Domingo passado celebrámos o Dia Missionário Mundial. Tal acontecimento chama  todos  os  baptizados  ao  seu empenho  para  serem  anunciadores  da Mensagem  de  salvação  trazida  pelo Senhor.

Possam o Jubileu e a recente celebração consolidar-vos na fé no Redentor e levar-vos a ser sempre autênticas e credíveis testemunhas do Evangelho nas vossas famílias e na sociedade.
Saúdo, agora, os numerosos peregrinos de língua italiana. Em particular dirijo um pensamento cordial aos organizadores e aos participantes na Jornada Jubilar do “Pizzaiolo”. Caríssimos, enquanto vos agradeço a vossa participação tão numerosa, asseguro-vos a minha oração pelas vossas famílias e pela vossa característica actividade profissional tão apreciada.

Saúdo, depois, os participantes no Fórum promovido em Florença pela Associação Internacional dos Lions Club, os membros da Academia da Guarda de Finanças e o Sindicato Autónomo de Trabalhadores Financiários. Do coração invoco sobre todos a constante protecção do Senhor.
Agora, saúdo-vos a vós, caros jovens, queridos doentes e estimados novos esposos.

No próximo sábado, 28 de Outubro, ocorre o 42º aniversário da eleição para a Cátedra de Pedro do meu venerado Predecessor João XXIII, que recentenmente tive a alegria de proclamar Beato. Ele permaneceu na história como o Papa da bondade, o “Papa bom”.

Que a sua memória vos ajude, caros jovens a ser testemunhas corajosas de Cristo no compromisso de cada dia; vos sustente, queridos doentes, no confiante acolhimento da vontade de Deus; seja para vós, estimados novos esposos, encorajamento constante para construir uma família acolhedora e aberta ao dom da vida.

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 8 de Novembro de 2000

A Eucaristia, sacramento de unidade

Caríssimos Irmãos e Irmãs: 

1. “Sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade!”. A exclamação de Santo Agostinho no seu comentário ao Evangelho de João (In Johannis Evangelium 26, 13) reúne idealmente e sintetiza as palavras que Paulo dirigiu aos Coríntios e que há pouco escutámos:  “E como há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois, participamos todos desse único pão” (1 Cor 10, 17). A Eucaristia é o sacramento e a fonte da unidade eclesial. E isto foi reafirmado desde as origens da tradição cristã, baseando-se precisamente no sinal do pão e do vinho. Assim, na Didaqué, um escrito composto nos primórdios do cristianismo, afirma-se:  “Da mesma forma que este pão partido se tinha dispersado pelos montes e, recolhido, se tornou uma só realidade, de igual modo se congregue no teu reino a tua Igreja, desde os confins da terra” (9, 1).

2. São Cipriano, Bispo de Cartago, fazendo eco no século III a estas palavras, afirma:  “Os próprios sacrifícios do Senhor põem em evidência a unanimidade dos cristãos, confirmada com sólida e indivisível caridade. Pois, quando o Senhor chama ao seu corpo o pão composto pela união de muitos grãos, indica o nosso povo reunido, que Ele sustenta; e quando chama ao seu sangue o vinho espremido de muitos cachos e bagos e depois fundido, indica de modo semelhante o nosso rebanho composto de uma multidão unida num só conjunto” (Ep. ad Magnum 6). Este simbolismo eucarístico em relação à unidade da Igreja volta com frequência nos Padres e nos teólogos da escolástica. “O Concílio de Trento resumiu esta doutrina, ensinando que o nosso Salvador deixou a Eucaristia à sua Igreja “como símbolo da unidade desta e da caridade que Ele quis que unisse intimamente todos os cristãos uns aos outros”, “mais ainda, como símbolo daquele único corpo, de que Ele é a Cabeça”" (Paulo VI, Mysterium fidei:  Ench. Vat., 2, 424; cf. Conc. Trid., Decr. de SS. Eucharistia, proémio e c. 2). O Catecismo da Igreja Católica sintetiza com eficácia:  “Os que recebem a Eucaristia são mais intimamente unidos a Cristo. Por ela, Cristo une todos os fiéis num único Corpo:  a Igreja” (n. 1396).

3. Esta doutrina tradicional está fortemente arraigada na Escritura. Paulo, no trecho já citado da Primeira Carta aos Coríntios, desenvolveu-a partindo de um tema fundamental, o da koinonia, isto é, da comunhão que se instaura entre o fiel e Cristo na Eucaristia. “O cálice da bênção que abençoamos não é comunhão (koinonia) com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão (koinonia) com o corpo de Cristo?” (10, 16). Esta comunhão é descrita com mais clareza, no evangelho de João, como uma relação extraordinária de “interioridade recíproca”:  “Ele em mim e eu n’Ele”. De facto, Jesus declara na sinagoga de Cafarnaum:  “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue vive em Mim e Eu nele” (Jo 6, 56).

É um tema que será sublinhado também nos discursos da Última Ceia mediante o símbolo da videira:  o ramo só é verdejante e frutífero se estiver enxertado no tronco da videira, da qual recebe linfa e sustento (cf. Jo 15, 1-7). Doutra forma, é só um ramo seco e destinado ao fogo:  aut vitis aut ignis, “ou a videira ou o fogo”, comenta de modo lapidar Santo Agostinho (In Johannis Evangelium 81, 3). Delineia-se aqui uma unidade, uma comunhão, que se realiza entre o fiel e Cristo presente na Eucaristia, tendo como base o princípio que Paulo formula desta maneira:  “Os que comem as vítimas sacrificadas, não estão em comunhão com o altar?” (1 Cor 10, 18).

4. Esta comunhão-koinonia de tipo “vertical”, porque nos une ao mistério divino, gera ao mesmo tempo uma comunhão-koinonia que podemos definir “horizontal”, ou seja, eclesial, fraterna, capaz de unir num vínculo de amor todos os participantes da mesma mesa. “Embora muitos, somos um só corpo recorda-nos Paulo pois participamos todos desse único pão” (1 Cor 10, 17). O discurso sobre a Eucaristia antecipa a grande reflexão eclesial que o Apóstolo desenvolverá no capítulo 12 da mesma Carta,  quando  falará  do  Corpo  de Cristo na sua unidade e multiplicidade. Também a célebre descrição da Igreja de Jerusalém, oferecida por Lucas nos Actos dos Apóstolos, delineia esta unidade fraterna ou koinonia, pondo-a em conexão com a fracção do pão, isto é, com a celebração eucarística (cf. Act 2, 42). É uma comunhão que se realiza a nível concreto da história:  “Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações (…) Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas” (Act 2, 42-44).

5. Renega-se por isso o significado profundo da Eucaristia, quando ela é celebrada sem ter em consideração as exigências da caridade e da comunhão. Paulo é severo com os Coríntios porque, quando se reúnem, “o que fazem não é comer a Ceia do Senhor” (1 Cor 11, 20), por causa das divisões, das injustiças, dos egoísmos. Nesse caso, a Eucaristia já não é ágape, ou seja, expressão e fonte de amor. E quem participa de modo indigno, sem fazer com que ela se transforme em caridade fraterna, “come e bebe a própria condenação” (Ibid., v. 29). “Se é verdade que a vida cristã se exprime no cumprimento do maior mandamento, ou seja, no amor de Deus e do próximo, este amor tem a sua fonte exactamente no Santíssimo Sacramento, que comummente é chamado Sacramento do Amor” (Dominicae coenae, 5). A Eucaristia recorda, torna presente e gera esta caridade.

Acolhamos, então, o apelo do Bispo e mártir Inácio que exortava à unidade os fiéis de Filadélfia, na Ásia Menor:  “Uma só é a carne de nosso Senhor Jesus Cristo, um só é o cálice na unidade do seu sangue, um só é o altar, assim como um só é o Bispo” (Ep. ad Philadelphenses 4). E com a liturgia oremos a Deus Pai:  “Concedei-nos, com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, ser repletos do Espírito Santo e tornar-nos em Cristo um só corpo e um só espírito” (Oração Eucarística III).


Saudações

Caríssimos Irmãos e Irmãs

Saúdo os peregrinos e visitantes de língua portuguesa. Em particular, saúdo os dirigentes e jogadores do Boavista Futebol Clube, de Portugal, e o grupo de brasileiros da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte; as Irmãs de Santa Catarina da Província de Novo Hamburgo e um Coral de Brasília. Sede bem-vindos! Peço a Deus por vossas famílias e invoco a protecção de Maria Santíssima para que vos guie no caminho da unidade e da paz. E a todos vós concedo de coração a minha Bênção Apostólica.

Saúdo calorosamente o grupo do Santuário de Nossa Senhora de Walsingham, na Inglaterra, e os membros da peregrinação internacional Caminho para Roma. Saúdo também os peregrinos dos Estados Unidos, da Diocese de Hartford, guiados pelo Arcebispo D. Cronin; os das Dioceses de Youngstown, com o seu Bispo D. Tobin; de Knoxville e o seu Bispo D. Kurtz; de Joliet e o seu Bispo D. Kaffer. Sobre todos os peregrinos e visitantes de língua inglesa, especialmente da Inglaterra, Tailândia, Japão, Malavi, Canadá e Estados Unidos da América, invoco a alegria e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo.

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua espanhola, em particular aos grupos procedentes de Espanha, México, Porto Rico, Guatemala, Argentina e outros países latino-americanos. Convido-vos a renovar a fé e a receber com alegria a misericórdia de Deus nesta visita jubilar a Roma. Tornai as vossas famílias e comunidades paroquiais participantes da experiência jubilar, levando-lhes também a afectuosa saudação e a bênção do Papa. Obrigado.

Saúdo afectuosamente as peregrinações diocesanas provenientes de Asti e Otranto, acompanhadas dos respectivos Pastores, D. Francisco Ravinale e D. Donato Negro. Caríssimos Irmãos e Irmãs, sede bem-vindos e obrigado pela vossa visita! Desejo de todo o coração que a celebração jubilar e o contacto com a sagrada memória dos Apóstolos Pedro e Paulo vos reforcem na adesão a Cristo. Desejo, além disso, que a vossa peregrinação traga abundantes frutos espirituais e pastorais em benefício das vossas famílias e da Comunidade diocesana, às quais de boa vontade dirijo um pensamento de afecto e de bênção.

Saúdo agora os demais peregrinos de língua italiana. Em particular, dirijo um pensamento cordial aos missionários das diversas Congregações e Dioceses que participam no curso promovido pela Pontifícia Universidade Salesiana. Saúdo ainda os participantes no encontro dos párocos franciscanos. Para cada um invoco a contínua assistência do Senhor, a fim de que as iniciativas que estais a seguir vos reavivem no empenho generoso de fidelidade ao Evangelho.

Saúdo, além disso, as numerosas paróquias presentes e, de modo especial, as dos Santos Anjos da Guarda, em Riccione, Santíssima Anunciada, de Arzano, São Pancrácio, nos Jardins Naxos. Saúdo os organizadores e participantes no Concurso “O Voluntário na relva”, promovido pelo Centro de Estudos meridionais de Giovinazzo, os administradores municipais e os habitantes de São Martinho Valle Caudina, a Federação Italiana de Agentes Imobiliários Profissionais, os alunos do Instituto Técnico Comercial “Michele Amari” de Ciampino e “Spataro” de Gissi, como também a Associação das pessoas que receberam transplantes de Órgãos, provenientes das Marcas e da Lombardia. Sobre todos vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, e as vossas famílias, invoco de todo o coração a constante protecção do Senhor.

Enfim, dirijo a minha saudação aos jovens, aos doentes e aos novos casais.

O mês de Novembro, dedicado à memória e à oração pelos defuntos, oferece-nos a oportunidade de considerar mais em profundidade o significado da existência  terrena  e  o  valor  da  vida eterna.

Caros jovens, estes dias sejam para vós um estímulo para compreender que a vida tem valor se for despendida para amar a Deus e ao próximo; sejam para vós, queridos doentes, um convite a unir de modo cada vez mais profundo as vossas dores ao mistério pascal do Senhor; e constituam para vós, amados novos casais, uma ocasião propícia para receber daqueles que vos precederam a preciosa herança da fé cristã.

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 15 de Novembro de 2000

A Palavra, a Eucaristia e os cristãos divididos 

Queridos Irmãos e Irmãs,

1. Como eu já indicava na Tertio millennio adveniente (cf. nn. 53 e 55), no programa deste Ano jubilar não podia faltar a dimensão dos diálogos ecuménico e inter-religioso. A linha trinitária e eucarística, que desenvolvemos nas catequeses precedentes, conduz-nos agora a deter-nos neste aspecto, tomando em consideração antes de tudo o problema da recomposição da unidade entre os cristãos. Fazemo-lo à luz da narração evangélica sobre os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), observando o modo como os dois discípulos, que se afastavam da comunidade, foram impelidos a percorrer o caminho oposto e ir de novo ao encontro dela.

2. Os dois discípulos voltavam as costas para o lugar em que Jesus tinha sido crucificado, porque este evento era para eles uma desilusão cruel. Pelo mesmo facto, afastavam-se dos outros discípulos e retornavam, por assim dizer, ao individualismo. “Conversavam entre si sobre tudo o que acontecera” (Lc 24, 14), sem entenderem o seu sentido. Não compreendiam que Jesus morreu “para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos” (Jo 11, 52). Viam apenas o aspecto tremendamente negativo da cruz, que arruinava as suas esperanças:  “Nós esperávamos que fosse Ele Quem libertasse Israel!” (Lc 24, 21). Jesus ressuscitado aproxima-se e caminha com eles, “os seus olhos, porém, estavam impedidos de O reconhecerem” (ibid., v. 16), porque do ponto de vista espiritual se encontravam nas trevas mais obscuras. Jesus então empenha-se com admirável paciência em fazer com que retornassem à luz da fé, por meio de uma longa catequese bíblica:  “E, começando por Moisés e seguindo por todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras tudo o que Lhe dizia respeito” (ibid., v. 27). O coração deles começou a arder (cf. ibid., v. 32). Pediram ao seu misterioso companheiro que permanecesse com eles. “E, quando Se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho.

Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O; mas Ele desapareceu da sua presença” (ibid., vv. 30-31). Graças à explicação luminosa das Escrituras, passaram das trevas da incompreensão para a luz da fé e tornaram-se capazes de reconhecer Cristo ressuscitado “quando Ele partiu o pão” (ibid., v. 35).

O efeito desta mudança profunda foi um impulso a retomar o caminho imediatamente e regressar a Jerusalém, para se unirem “aos Onze e aos outros que estavam com eles” (ibid., v. 33). O caminho da fé havia tornado possível a união fraterna.

3. O nexo entre a interpretação da palavra de Deus e a Eucaristia aparece também noutro lugar do Novo Testamento. No seu discurso, João relaciona esta palavra com a Eucaristia quando no discurso de Cafarnaum nos apresenta Jesus que evoca o dom do maná no deserto, reinterpretando-o em chave eucarística (cf. Jo 6, 32-58). Na Igreja de Jerusalém, a assiduidade em escutar a didaqué, isto é, o ensinamento apostólico baseado na palavra de Deus, precedia a participação na “fracção do pão” (Act 2, 42).

Em Tróade, quando os cristãos se reuniram à volta de Paulo para “partir o pão”, Lucas refere que a reunião começou com longos discursos do Apóstolo (cf. Act 20, 7), certamente para nutrir a fé, a esperança e a caridade. De tudo isto resulta claro que a união na fé é a condição prévia para a participação comum na Eucaristia.

Com a Liturgia da Palavra e a Eucaristia como nos recorda o Concílio Vaticano II, citando São João Crisóstomo (In Joh. hom. 46) “os fiéis unidos ao Bispo, tendo acesso a Deus Pai mediante o Filho, o Verbo encarnado, morto e glorificado, na efusão do Espírito Santo, conseguem a comunhão com a Santíssima Trindade, feitos “participantes da natureza divina (1 Pd 1, 4)! Por isso, pela celebração da Eucaristia do Senhor, em cada uma dessas Igrejas, a Igreja de Deus é edificada e cresce, e pela concelebração se manifesta a comunhão entre elas” (Unitatis redintegratio, 15). Este vínculo com o mistério da unidade divina gera, portanto, um laço de comunhão e de amor entre aqueles que se sentaram à única mesa da Palavra e da Eucaristia. A única mesa é sinal e manifestação da unidade. “Por conseguinte, a comunhão eucarística está inseparavelmente ligada à plena comunhão eclesial e à sua expressão visível” (A busca da unidade Directório ecuménico de 1993, n. 129).

4. Nesta luz se compreende como as divisões doutrinais, existentes entre os discípulos de Cristo reunidos das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais, limitam a plena partilha sacramental. O Baptismo é, entretanto, a raiz profunda de uma unidade fundamental que une os cristãos apesar das suas divisões. Portanto, se a participação na mesma Eucaristia permanece excluída para os cristãos ainda divididos, em casos específicos previstos pelo Directório ecuménico é possível introduzir na Celebração eucarística alguns sinais de participação que exprimem a unidade já existente e vão na direcção da plena comunhão das Igrejas em torno da mesa da Palavra e do Corpo e Sangue do Senhor. Assim, “em ocasiões excepcionais e por justa causa, o Bispo diocesano pode permitir que um membro de outra Igreja ou Comunidade eclesial exerça a função de leitor durante a Celebração eucarística da Igreja católica” (n. 133). De igual modo, “todas as vezes que uma necessidade o exigir ou uma verdadeira utilidade o aconselhar e contanto que seja evitado o perigo de erro ou de indiferentismo”, entre os católicos e os cristãos orientais é lícita uma certa reciprocidade para os sacramentos da penitência, da Eucaristia e da unção dos enfermos (cf. nn. 123-131).

5. Todavia, a árvore da unidade deve crescer até à sua plena expansão, como Cristo invocou na grande oração do Cenáculo, aqui proclamada na abertura (cf. Jo 17, 20-26; UR, 22). Os limites na intercomunhão diante da mesa da Palavra e da Eucaristia devem transformar-se num apelo à purificação, ao diálogo, ao caminho ecuménico das Igrejas. São limites que nos fazem sentir de maneira mais forte, precisamente na Celebração eucarística, o peso das nossas lacerações e contradições. A Eucaristia é assim um desafio e uma provocação inserida no próprio coração da Igreja, para nos recordar o intenso, extremo desejo de Cristo:  “Para que todos sejam um só” (Jo 17, 11.21).

A Igreja não deve ser um corpo de membros divididos e que sofrem, mas um organismo vivo e forte que progride sustentado pelo pão divino, como é prefigurado no caminho de Elias (cf. 1 Rs 19, 1-8), até ao ápice do encontro definitivo com Deus. Lá finalmente se cumprirá a visão do Apocalipse:  “E vi a cidade santa, a nova Jerusalém que descia do Céu, de junto de Deus, bela como uma Esposa que se ataviou para o seu Esposo” (21, 2).


Saudações

Caríssimos Irmãos e Irmãs

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo cordialmente todos os presentes e, de modo especial, os grupos brasileiros da diocese de Novo Hamburgo e da paróquia de São Marcos, no Rio de Janeiro. Desejo-lhes, como fruto desta peregrinação jubilar, aquela renovação de vida que nasce do encontro pessoal com Cristo e frutifica num serviço solidário e desinteressado aos mais pobres da comunidade. Com estes votos, de bom grado a todos abençoo.

Dirijo-me, por fim, aos jovens, aos doentes e aos novos casais.

Celebramos hoje a memória de Santo Alberto Magno, Bispo e Doutor da Igreja, grande teólogo, que soube unir de modo exemplar uma intensa vida de oração a um apaixonado estudo da verdade da fé.

Caros jovens, nunca vos canseis de conhecer, amar e seguir o Senhor. Só Ele tem palavras de vida eterna, capazes de dar pleno significado à existência. Vós, queridos doentes, que experimentais a fadiga do sofrimento, sabei sentir a presença consoladora de Cristo, que vos convida a participar com fé na potência salvífica da sua Cruz. Vós, enfim, amados novos casais, fiéis à vossa vocação, sede no mundo imagem luminosa do amor de Deus, através da fidelidade, unidade e fecundidade do vosso amor.

JUAN PABLO II

AUDIENCIA GENERAL

Miércoles 9 de junio de 1993

 

La Eucaristía en la vida espiritual del presbítero

(Lectura:
1ra. carta de san Pablo a los Corintios, capítulo 1, versículos 15-17)

1. La mirada de los creyentes de todo el mundo se dirige en estos días hacia Sevilla, donde, como sabéis muy bien, se está celebrando el Congreso eucarístico internacional y a donde tendré el gozo de acudir el sábado y domingo próximos.

Al comienzo de este encuentro, en el que reflexionaremos sobre el valor de la Eucaristía en la vida espiritual del presbítero, os quiero dirigir una invitación paternal a uniros espiritualmente a esa grande e importante celebración, que nos llama a todos a una auténtica renovación de la fe y la devoción hacia la presencia real de Cristo en la Eucaristía.

Las catequesis que estamos desarrollando sobre la vida espiritual del sacerdote valen de manera especial para los presbíteros, pero se dirigen igualmente a todos los fieles, ya que conviene que todos conozcan la doctrina de la Iglesia acerca del sacerdocio y lo que ella espera de quienes, por su ordenación, han sido transformados según la imagen sublime de Cristo, eterno sacerdote y hostia santísima del sacrificio salvífico. Esa imagen quedó trazada en la Carta a los Hebreos y en otros textos de los Apóstoles y los evangelistas, y ha sido transmitida fielmente por la tradición de pensamiento y vida de la Iglesia. También hoy es necesario que el clero siga permaneciendo fiel a esa imagen, en la que se refleja la verdad viva de Cristo, sacerdote y hostia.

2. La reproducción de esa imagen en los presbíteros se realiza principalmente mediante su participación vital en el misterio eucarístico, al que está esencialmente ordenado y vinculado el sacerdocio cristiano. El concilio de Trento subrayó que el vínculo existente entre sacerdocio y sacrificio depende de la voluntad de Cristo, que dio a sus ministros “el poder de consagrar, ofrecer y administrar su cuerpo y su sangre” (cf. Denz-S. 1764). Eso implica un misterio de comunión con Cristo en el ser y en el obrar, que exige que se manifieste en una vida espiritual imbuida de fe y amor a la Eucaristía.

El sacerdote es plenamente consciente de que no le bastan sus propias fuerzas para alcanzar los objetivos del ministerio sino que está llamado a servir de instrumento para la acción victoriosa de Cristo, cuyo sacrificio, hecho presente en el altar, proporciona a la humanidad la abundancia de los dones divinos. Pero sabe también que, para pronunciar dignamente, en el nombre de Cristo, las palabras de la consagración: “Esto es mi cuerpo”, “este es el cáliz de mi sangre”, debe vivir profundamente unido a Cristo, y tratar de reproducir en sí mismo su rostro. Cuanto más intensamente viva de la vida de Cristo, tanto más auténticamente podrá celebrar la Eucaristía.

El concilio Vaticano II recordó que “señaladamente en el sacrificio de la misa, los presbíteros representan a Cristo” (Presbyterorum ordinis, 13) y que, por esto mismo, sin sacerdote no puede haber sacrificio eucarístico; pero también reafirmó que cuantos celebran este sacrificio deben desempeñar su papel en íntima unión espiritual con Cristo, con gran humildad, como ministros suyos al servicio de la comunidad: deben “imitar lo mismo que tratan, en el sentido de que, celebrando el misterio de la muerte del Señor, procuren mortificar sus miembros de vicios y concupiscencias” (ib.). Al ofrecer el sacrificio eucarístico, los presbíteros deben ofrecerse personalmente con Cristo, aceptando todas las renuncias y todos los sacrificios que exige la vida sacerdotal. También ahora y siempre con Cristo y como Cristo, sacerdos et hostia.

3. Si el presbítero siente esta verdad que se le propone a él y a todos los fieles como expresión del Nuevo Testamento y de la Tradición, comprenderá la encarecida recomendación del Concilio en favor de una “celebración cotidiana (de la Eucaristía), la cual, aunque no pueda haber en ella presencia de fieles, es ciertamente acto de Cristo y de la Iglesia” (ib.). Por esos años existía cierta tendencia a celebrar la Eucaristía sólo cuando había una asamblea de fieles. Según el Concilio, aunque es preciso hacer todo lo posible para reunir a los fieles para la celebración, es verdad también que aun estando solo el sacerdote, la ofrenda eucarística realizada por él en nombre de Cristo tiene la eficacia que proviene de Cristo y proporciona siempre nuevas gracias a la Iglesia. Por consiguiente, también yo recomiendo a los presbíteros y a todo el pueblo cristiano que pidan al Señor una fe más intensa en este valor de la Eucaristía.

4. El Sínodo de los obispos de 1971 recogió la doctrina conciliar, declarando: “Esta celebración de la Eucaristía, aun cuando se haga sin participación de fieles, sigue siendo, sin embargo, el centro de la vida de toda la Iglesia y el corazón de la existencia sacerdotal” (cf. L’Osservatore Romano, edición en lengua española, 12 de diciembre de 1971, p. 4).¡Gran expresión esta: “el centro de la vida de toda la Iglesia”! La Eucaristía es la que hace a la Iglesia, al igual que la Iglesia hace a la Eucaristía. El presbítero, encargado de edificar la Iglesia, realiza esta tarea esencialmente con la Eucaristía. Incluso cuando no cuenta con la participación de los fieles, coopera para reunir a los hombres en torno a Cristo en la Iglesia mediante la ofrenda eucarística.

El Sínodo afirma, también, que la Eucaristía es el corazón de la existencia sacerdotal. Eso quiere decir que el presbítero, deseoso de ser y permanecer personal y profundamente adherido a Cristo, lo encuentra ante todo en la Eucaristía, sacramento que realiza esta unión íntima abierta a un crecimiento que puede llegar hasta el nivel de una identificación mística.

5. También en este nivel, que han alcanzado muchos sacerdotes santos, el alma sacerdotal no se cierra en sí misma, precisamente porque en la Eucaristía participa de modo especial de la caridad de Aquel que se da en manjar a los fieles (Presbyterorum ordinis, 13); y, por tanto, se siente impulsada a darse a sí misma a los fieles, a quienes distribuye el Cuerpo de Cristo. Precisamente al nutrirse de ese Cuerpo, se siente estimulada a ayudar a los fieles a abrirse a su vez a esa misma presencia, alimentándose de su caridad infinita, para sacar del Sacramento un fruto cada vez más rico.

Para lograr este fin, el presbítero puede y debe crear el clima necesario para una celebración eucarística fructuosa: el clima de la oración. Oración litúrgica, a la que debe invitar y educar al pueblo. Oración de contemplación personal. Oración de las sanas tradiciones populares cristianas, que puede preparar, seguir y, en cierto modo, también acompañar la misa. Oración de los lugares sagrados, del arte sagrado, del canto sagrado, de las piezas musicales (especialmente con el órgano), que se encuentra casi encarnada en las fórmulas y los ritos, y todo lo anima y reanima continuamente, para que pueda participar en la glorificación de Dios y en la elevación espiritual del pueblo cristiano reunido en la asamblea eucarística.

6. El Concilio, además de la celebración cotidiana de la misa, recomienda también al sacerdote “el cotidiano coloquio con Cristo Señor en la visita y culto personal de la santísima Eucaristía” (Presbyterorum ordinis, 18). La fe y el amor a la Eucaristía no pueden permitir que Cristo se quede solo en el tabernáculo (cf. Catecismo de la Iglesia católica n. 1418). Ya en el Antiguo Testamento se lee que Dios habitaba en una tienda (o tabernáculo), que se llamaba “tienda del encuentro” (Ex 33, 7). El encuentro era anhelado por Dios. Se puede decir que también en el tabernáculo de la Eucaristía Cristo está presente con vistas a un coloquio con su nuevo pueblo y con cada uno de los fieles. El presbítero es el primer invitado a entrar en esta tienda del encuentro, para visitar a Cristo presente en el tabernáculo para un coloquio cotidiano.

Quiero, por último, recordar que el presbítero está llamado más que cualquier otra persona a compartir la disposición fundamental de Cristo en este sacramento, es decir, la acción de gracias, de la que toma su nombre. Uniéndose a Cristo, sacerdote y hostia, el presbítero comparte no sólo su oblación, sino también su sentimiento, su disposición de gratitud al Padre por los beneficios otorgados a la humanidad, a toda alma, al presbítero mismo, a todos los que en el cielo y en la tierra son admitidos a tomar parte en la gloria de Dios. Gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam…Así, a las expresiones de acusación y protesta contra Dios —que a menudo se escuchan en el mundo—, el presbítero opone el coro de alabanzas y bendiciones, que elevan quienes saben reconocer en el hombre y en el mundo los signos de una bondad infinita.

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Saludos

Amadísimos hermanos y hermanas:

Saludo ahora muy cordialmente a todos los peregrinos y visitantes de lengua española. En particular, a las religiosas Claretianas y de María Inmaculada aquí presentes, así como a la Hermandad de San Pedro, de Estepa (Sevilla) y a los integrantes de la peregrinación procedente de Panamá.

A todos imparto con gran afecto la bendición apostólica